terça-feira, 29 de junho de 2010

Pracinha





Queria namorar você,
naquele banco de madeira,
daquela pracinha cercada de flores,
em uma noite de verão,

sob a vigilância e o olhar austero da lua
a nos seguir discretamente;
movimentando-se pelo céu,
flutuando sobre o manto brilhante das estrelas.

Queria dar-lhe um beijo apaixonado e
ardente
no banco daquela pracinha,

deixando a lua que,
insistentemente nos acompanha,
tão envergonhada a ponto de ir esconder-se
atrás de uma distráida nuvem
a vagar pelo céu soprada pela brisa morna daquela noite.

Queria ouvir,
no banco de madeira daquela pracinha,
juras de amor suas acompanhadas pela trilha sonora da sua risadinha maliciosa e gostosa.

Queria iluminar-lhe com o meu olhar,
no banco daquela pracinha,
sempre que a lua for agasalhar-se eum uma nuvem.

Queria sentir, naquele banco de madeira,
a peculiar essência do seu perfume
misturada ao cheiro das flores que decoram a pracinha.

Queria aninhar a minha cabeça em seu peito
no banco de madeira daquela pracinha.

Queria brigar com você,
no banco daquela pracinha,
e vê-lo lançar-me aquele olharzinho magoado,
que só você sabe lançar,
derreter-me toda por dentro,
destruindo todas as minhas defesas.

Aquele seu olharzinho magoado
tem o poder de atingir-me e penetrar-me tal como a flecha
disparada pelo mais experiente arqueiro.
Queria pedir-lhe, depois de brigar com você, desculpas,
no banco de madeira daquela pracinha.

Queria fazer do banco de madeira daquela pracinha nosso principal confidente,
pois sei que é mudo e surdo.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A Supremacia Do ser

Andava a passos moderados na rua vazia, que de tão vazia, nem barulho de vento ou, sequer, de brisa se ouvia. Passos que não eram nem rápidos, nem vagarosos. Trazia as duas mãos profundamente enterradas nos bolsos do casaco cinza, um cinza chumbo, macambúzio, triste, mas que tinha, exatamente, a mesma tonalidade do cinza do céu ao cair da noite de mais um dia frio daquele Mês de Junho. Tinha em cada ouvido um fone que tocava no último volume "Desculpe ,estou um pouco atrasado.Mas espero que ainda dê tempo de dizer que andei errado e eu entendo as suas queixas tão justificáveis e a falta que eu fiz nessa semana.Coisas que pareceriam óbvias até pra uma criança. "
O volume do seu fone era tão alto que ele nem podia ouvir o som dos seus próprios passos a resvalar nas pequenas poças de águas formadas após um longo dia de chuva. Ele nem, ao menos, tentava desviar delas. Talvez por não tê-las visto ou por não se importar em passar por elas , já que olhava com seus olhos azuis de um opaco acinzentado, os quais pareciam refletir a cor chúmbea do firmamento apenas para frente como se nessa posição estivesse vendo algo capaz de lhe dar rumo no invisível daquela atmosfera fria. Apesar de a música tocar tão alto em seus ouvidos, vendo os seus olhos, sua expressão, parecia nada ouvir, como se tivesse anestesiado, absorto em si mesmo, preso nas profundezas do seu próprio ser. Um ser que, por vezes, até ele mesmo recriminava. Talvez, por isso, estivesse tão preso, aprisionado em si mesmo pelos grilhões de ferro do seu próprio eu, um eu que parecia maior do que ele, como se fosse um ente autônomo, particular, absoluto e não parte dele. Tudo isso o fazia se sentir pesado, de ferro; de modo que até andar naquela velocidade em que andava parecia-lhe por demais custoso. Ainda era-lhe possível caminhar moderadamente porque sua cabeça não pensava em nada. Estava sem idéia, oca tal como ele e era-lhe melhor assim, pois, ao menos, tinha a cabeça fresca. Porém toda a sua compleição estava tesa, hirta como se estivesse a matutar sobre o pior do seus pesadelos.
De repente, como se tivesse acordado de todo aquele torpor que lhe produzira extrema rigidez em sua compleição, conseguiu ouvir e prestar atenção no trecho da melodia que há alguns segundos tocava em seus ouvidos: "Amor eu sinto a sua falta. A falta é a morte da esperança como um dia que roubaram o seu carro deixou uma lembrança que a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância diante da eternidade do amor de quem se ama"Nesse instante, veio flutuando tal como uma folha de papel ao sabor do vento a imagem da sua ex mulher até pousar no centro de suas lembranças e recordar-se dela de forma tão inesperada fez emurchercer, comprimir todo o seu semblante, como se uma aguda dor estivesse a pulsar do seu âmago.
Esse texto continua
continua

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Insanidade

Queria provocar-te até o ponto de quereres, insanamente, desembanhar a tua espada e penetrar-me o mais fundo que a tua insanidade permitir. Queria agonizar em teu ouvido sentindo tua espada penetrar-me, ouvindo teus gemidos frenéticos e depois ver a paz inundando todo o teu espírito, em um alívio, por teres satisfeito toda a tua insanidade.

Complexo De Puta

Gostaria de deixar bem claro que o texto abaixo não é autobiográfico como alguns pensam. Tem nada a ver!

Era mais um dia ensolarado do Mês de Abril. Os raios do sol caíam em suave e quente cascata dourada pelas copas das árvores atingindo algumas porções do solo cheio de grama daquele jardim que estavam desprotegidas pelas sombras das árvores. Debaixo de uma delas, estava eu a conversar molemente com Marcos, meu melhor amigo da universidade. Proseávamos sobre o término do namoro dele. Era apenas uma prosa tranquila entre bons amigos em que ele com sua limpa e gutural voz ia me narrando os fatos e as conturbações do seu último romance e eu apenas o ouvia, vez ou outra interrompendo-o a fim de dar algum palpite. Até aquele momento, encarava-o apenas como amigo, nada mais que isso.
Porém, estranhamente, após ter bebido umas e outras com ele para amenizar o calor infernal daquele dia, passei a olhá-lo com outros olhos. Passei a vê-lo como homem, como macho e principiei a sentir nele um cheiro de testosterona que jamais havia sentido. Não sei se foi a bebida que aguçou meus sentidos. Não sei. Tudo que sei é que, ao irmos ao apartamento dele para buscar mais dinheiro para continuarmos bebendo, agarramo-nos como loucos no carro dele durante o trajeto da universidade até sua casa. Eu já não me conhecia mais. Estava dominada, possessa por aquele atração, por aquele desejo que ele exercia sobre mim. Agarrávamo-nos tanto que, em alguns momentos, chegávamos a atrapalhar o trânsito, torrando a paciência de alguns motoristas que, em sinal de protesto, buzinavam até a exaustão espalhando pela atmosfera um som ensurdecedor. Ao perceber todo aquele caos que estávamos causando no trânsito, paramos de nos pegar e sorrimos cúmplices um para o outro enquanto ele passava a primeira marcha no carro a fim de dar partida e assim acalmar o ânimo daqueles nervosos e insensíveis motoristas, sem, no entanto, conseguir aplacar os ânimos do nosso desejo. Nesse momento, vi seus olhos cor de chocolate brilharem, faiscarem de volúpia.

Quando chegamos ao apartamento dele, estávamos loucos de tesão, quentes de desejo e o calor da nossa luxúria derreteu todos os nossos pudores, o nosso bom senso. Ali a moral não mais existia. Tudo que havia eram apenas duas carnes fracas, a minha e a dele, Havia apenas a racionalidade do nosso desejo, que nos impulsionava através de uma vontade quase insana a desnudar da forma mais selvagem e ordinária possível um ao outro como numa briga, numa luta, num conflito sensual e voluptuoso, à semelhança de uma batalha onde triunfaria apenas a luxúria. Não sei quem estava em menor estado de consciência se eu ou se ele. O fato é que tanto eu como ele queríamos vivenciar aquele momento com a mesma intensidade e essa vontade era tão brutal que fazia nossos dentes cerrarem-se de desejo. Então ele, sem que eu esperasse, tomou-me em seus braços fortes e másculos e me levou até o seu quarto, deitando-me em sua viçosa e convidativa cama. Nesse momento perdi todo o meu racional, fui de encontro a todos os meus princípios morais, deixei-me levar por um desejo que me assaltou de repente, sem que eu percebesse, que me tomou de forma covarde, não me deixando tempo de avaliar a diferença de uma puta rampeira para uma mulher bem resolvida.

A verdade é que eu adorava quando ele acariciava minhas coxas, quando falava todas aquelas putarias em meu ouvido dizendo que gostaria de comer meu cu de quatro. Eu adorava, sentia-me desejada, sentia prazer, sentia-me mulher e ali nada mais existia além de mim e dele, apesar de,até hoje, nunca ter cogitado a hipótese de fazer anal.

E foi acariciando minhas coxas, palmo a palmo, que ele chegou a minha cona. De repente, senti a língua dele invadindo a minha xota em profundos movimentos circulares, girando tal como a hélice de um ventilador, provocando-me intensas ondas de prazer , fazendo-me gemer de tesão, de prazer, de volúpia, de luxúria, inconscientemente. Sua língua atingia uma prfundidade dentro da minha vagina que eu jamais sonhara existir. Parecia que ia até as fossas abissais do meu sexo enquanto eu me contorcia toda de prazer naquela cama, possessa de tesão , revirando os olhos de prazer e gemendo alto num grito de incontido orgasmo enquanto sua língua com uma destreza que eu eu jamais sonhara existir girava dentro de mim.

Ao sentir seu membro rijo pressionando minha barriga, senti-me na obrigação de retribuir todas aquelas ondas de prazer que a sua habilidosa chupada tinha causado em mim. Então me pus de joelhos, abaixei seu short e abocanhei seu membro e chupei até que minha mandíbula ficasse dolorida enquanto ele dizia quase num gemido que aquele boquete era o melhor de toda sua vida.
Essa foi a única intimidade que tivemos. Depois disso, nada mais houve entre nós e a amizade afrouxou-se. Porém, passei a me sentir uma puta depois disso. Uma verdadeira vadia, fraca, que renuncia seus próprios valores em detrimento de um desejo insano, vil, passageiro, que após alguns gritos de orgasmo dissipa-se, reduz-se a pó, a meros fragmentos de lembranças. Arrependo-me de ter me apequenado tanto a esse desejo. A pior coisa é sentir-se culpado diante de si mesmo.
 
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